Livros

Líderes se Servem por Último

Hoje gostaria de compartilhar com vocês uma leitura recente, que tem tudo a ver com o papel do Scrum Master. O título do livro é “Líderes se Servem por Último”, do Simon Sinek. Você já ouviu falar em “liderança servidora”?

Tempos mais ágeis pedem um novo conceito sobre liderança. Já não faz mais sentido ter o líder controlador que impõe decisões de cima para baixo sem a ajuda de seus liderados. É preciso mais que isso. É necessário inspirar e guiar pelo exemplo, bem como atuar com empatia e construir o trabalho com propósito e senso de equipe.

O título do livro foi inspirado numa conversa que o autor teve com um general do corpo de fuzileiros navais da marinha norte-americana, que lhe disse: “aqui os oficiais comem por último” ou, como sublinha o autor, “os grandes líderes sacrificam o seu próprio bem-estar pelo bem-estar daqueles que estão ao seu cuidado”.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o líder não existe para ser servido. É ele que serve as pessoas, guia o time, ajuda-o a atingir metas, superar obstáculos e se desenvolver profissionalmente. Isso vale, inclusive, para os tempos de crise. Uma vez que você consegue colocar suas necessidades de lado e focar na sua equipe, você mesmo se reconhecerá como um verdadeiro líder.

Na primeira parte, Simon Sinek descreve características fisiológicas da nossa reação à liderança, elencando os principais hormônios que atuam neste processo e os dividindo entre “egoístas” e “altruístas”. Os hormônios egoístas nos ajudam a realizar coisas e os hormônios altruístas nos ajudam a nos relacionar melhor e colaborar com os outros:

  • Endorfina é o hormônio que mascara a dor;
  • Dopamina é o hormônio que ajuda a realizar as coisas;
  • Serotonina é o hormônio da liderança;
  • Oxitocina é o hormônio do amor.

Dopamina e endorfina são classificados no livro como “hormônios egoístas”, por produzirem estados relacionados à individualidade. A dopamina nos dá a sensação do dever cumprido, enquanto que a endorfina funciona como um analgésico natural, permitindo o corpo a ir mais adiante em tarefas de alta intensidade como esportes, por exemplo.

Na pré-história, esses hormônios eram associados à caça de alimentos para a manutenção dos grupos sociais e conferia aos mais aptos as mais altas hierarquias. Hoje em dia, eles estão altamente relacionados com o sucesso no trabalho. Os hormônios egoístas estão ligados a alta performance e realização de tarefas e portanto estariam mais presentes nos líderes.

Uma observação importante que o autor nos traz neste livro é que uma concentração muito alta de dopamina no organismo pode transformar o líder em um tirano que controla tudo minuciosamente, liderando pelo medo. Essa é uma visão antiga que não traz resultados bons para o grupo, mas que o faz se sentir bem à custa dos liderados. E vicia. Cuidado!

Para evitar que se fique viciado em dopamina é preciso balancear dopamina e seus opostos. Uma boa dica é realizar trabalho voluntário ou estar presente fisicamente com seus liderados e não somente interagir através das ferramentas tecnológicas. É preciso criar laços e desenvolver uma relação de confiança entre as pessoas.

Ocitocina e serotonina, por sua vez, são hormônios altruístas e estariam mais presentes nos liderados e favoreceriam a admiração pelos líderes. Também ajudam a sentir confiança e fazer parte do gurpo. Ajudam o grupo a trabalhar sinergicamente e com empatia. A melhor forma de fazer isso não é se escondendo atrás de um computador e de planilhas, é necessário estar junto do time, estabelecer cultura e proximidade com os liderados.

Na segunda parte do livro, Simon Sinek dá exemplos de cases e fala em profissionais da liderança, incluindo dois estilos diferentes, detalhados abaixo:

  • Jack Welch, CEO da General Eletric – Líder de curto prazo. Os lucros na GE foram como uma montanha russa, no período analisado, com variações enormes. Todo ano, Jack Welch demitia os 10% piores gerentes para garantir os lucros.Porém, Sinek afirma que isso não é uma liderança eficaz e sim um exemplo de um CEO viciado em dopamina.
  • Jeff Sinegal, CEO da Costco – Líder de longo prazo. Ele fazia o caminho oposto de Welch, sem apostar no medo para motivar as suas equipes. Sinegal dizia que, durante a crise, era hora de focar nos funcionários e não em demiti-los. As ações da Costco foram (e ainda são) estáveis e previsíveis. Elas mostram progresso constante e provam que o foco no longo prazo é o caminho para uma liderança eficaz (e lucrativa).

Que tal sabermos mais sobre o livro escutando do próprio autor? Simon Sinek fala sobre ele no TED Talks (video em inglês com legendas):

Foi uma leitura enriquecedora, recomendo fortemente!

Um comentário em “Líderes se Servem por Último”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s